Sobre as propagandas, digo que ao invés de pensarmos em nós mesmos, pensamos mais no outro. Sendo este outro o produtor do elemento a ser comercializado. Porque, na verdade, o discurso  dele se dá pela elisão de um elemento muito importante. "Compre", mas compre o quê? Compre o meu produto.  Dentro deste discurso existe ainda um possessivo que, ao invés de levar o discurso para o lado apelativo, acaba por se transformar num dos mais poéticos e sentimentais atos de fala.
Por isso acho engraçado quando alguém tenta se definir pelo que veste ou pelo que usa sem antes relevar o fato de que toda imagem foi na verdade constituída pelo consumo. Consumo este de algo que não é seu, visto que não foi produzido pelo eu.
Pensava nisso quando, num rompante de pensamento, lembrei-me de um trecho do livro O Príncipe, escrito por Maquiavel.  Neste manual de instruções para ser soberano de uma nação,  o autor diz que para atingir tais objetivos seria necessário seguir os passos daquele que já o atingiu. Veja bem, para atingir um objetivo, seja ele qual for, trilhar o mesmo caminho seria de certa forma consumir, visto que o eu não pode ocupar o lugar do outro, pois, para tanto, obviamente, teria que entrar num processo  de acumulação de fatores que os liguem a este outro. Esta acumulação numa sociedade capitalista se chama consumo.
Como, então, atingir seus objetivos sem passar pelo limite do que não é SEU?

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