Se eu pudesse sentir a fricção do carvão sobre o papel branco e dela retirar faísca suficiente para cegar a escuridão, ah, então daí faríamos fogueira, combustível de madeira maciça de que somos feitos, e queimaríamos sobre o céu azul em chamas.

Sinto falta de você, Imaginário, sinto tanto. Transborda em mim emoção, entorpece, desfaz-se em saudade.

Carvão, suja o papel, macula o intocado, destrói. Contigo nada  será alvejado, oh Imaginário. Queima a poesia, rodeia-me. Sou eu a bruxa em processo de expurgação, sou eu a bruxa em processo de purificação. Tu és o fogo, pulsão de força, musa dizendo ao pé do olvido: vai, vai ter contigo. Vai contigo recuperar o que é teu.

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