vejo a ana muito preocupada

tudo tem seu tempo, ana
você sabe disso
o fruto não cai da árvore assim
de maduro
cai fresco
pelo menos aqui é assim.

durante alguns momentos me ative a olhar
analisar verso a verso seu rosto dolorido
de mágoa
era muito difícil testemunhar
mas sem você para morrer naquele lugar
não haveria poesia

em rosa, em líquido e cor
flamejante e diretamente dor
vi-me em pedaços recuperando o que
você sabe
nunca esteve em minhas mãos
eu era jovem a ponto de acreditar em tudo

meu ascendente em drama permitiu cuidar
quanto o pude
de quem aparecia em meu caminho
mas você tão totem e tão bela
quanto desta imagem eu pude recuperar?

ana não é mais dezembro
e o ano que passou não foi fácil
apesar de prazeroso até a última gota.
Não sabia que o gosto poderia despencar do desespero.