Crônica 2- aos moldes de Luisa
Quando menina, mirava as paredes brancas com atenção. Pensava ser observada por eu-mesma-futuro que se perguntava anos luz à frente, como ser e reviver o estado de espírito em que estava. Guardava comigo cada momento, fotografando vidas inteiras na luz do sol. Na chuva também (dizem que os cristais catalisam reações químicas imensas de amor). Eu vivia intensamente o nada, registrava tudo o que me faltava para retirar uma essência. Agora, cá estou eu, eu-mesma-futuro, retornando no tempo, na fita rebobinada, lembrando passo-a-passo o que era registrado. Os tons em azul, os brancos infinitos, a escala cinza janela afora. Falta agora lembrar como ser eu-mesma-menina, nesta viagem além-eu.