Imagine dirigir por uma estrada à noite, você segue as placas, vê estabelecimentos em neon, luzes e o tráfego normal dos carros. Em velocidade constante, percorre caminhos seguros, a salvo da tirania do mundo. Em alguns metros, as placas vão ficando escassas, assim como as sinaleras, o barulho e as estalagens. Você está com sono, e espera pacientemente a próxima placa de retorno. Mas na vida, assim como na literatura, não há retorno. Apenas o próximo caminho escuro, a te guiar a novas cidades, neons e noise. Nestes caminhos paramos o carro para jantar na beira da estrada com amigos, levamos familia e muitas malas. E a memoria é esse lugar de estocagem de malas. Você sabe que, alguma hora, o caminho se bifurca, logo após a próxima placa na estrada. E é assim que as coisas acabam.